Início › Aprender › ABA, Modelo Denver, PECS e TEACCH: quais as diferenças?

Guia · 6 min de leitura

ABA, Modelo Denver, PECS e TEACCH: quais as diferenças?

ABA, Modelo Denver (ESDM), PECS e TEACCH são siglas de abordagens usadas no autismo. A ABA é a análise do comportamento aplicada, o ESDM é um modelo para crianças pequenas, o PECS usa figuras para comunicar e o TEACCH organiza o ambiente com apoios visuais. Não existe método único e milagroso: os programas costumam combinar abordagens conforme cada criança.

O que é ABA?

ABA vem do inglês Applied Behavior Analysis, ou análise do comportamento aplicada. É uma ciência que estuda como o ambiente e as consequências influenciam o comportamento, e usa isso para ensinar habilidades, como pedir, esperar, brincar ou se vestir. Na terapia ABA, o profissional define metas pequenas, ensina por etapas, registra os dados e ajusta o plano. A ABA pode ser feita de modo estruturado, em mesa, ou de modo natural, durante a brincadeira. Veja mais sobre a terapia ABA.

O que é o Modelo Denver (ESDM)?

ESDM é a sigla de Early Start Denver Model, ou Modelo Denver de Intervenção Precoce. Foi pensado para crianças pequenas (a partir de cerca de 12 meses) e usa princípios da ABA dentro de brincadeiras do dia a dia, com foco em vínculo, comunicação, imitação e brincar. Os pais são convidados a participar e a aprender estratégias para usar em casa.

O que é o PECS?

PECS vem de Picture Exchange Communication System, ou Sistema de Comunicação por Troca de Figuras. A criança aprende a entregar uma figura para pedir algo que deseja, e depois a montar frases com várias figuras. É útil para quem fala pouco ou não fala. O objetivo não é substituir a fala: muitas crianças continuam desenvolvendo a fala, e outras passam a se comunicar bem por figuras. Esse trabalho costuma ser feito junto com a fonoaudiologia.

O que é o TEACCH?

TEACCH é a sigla de Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children, um programa criado na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. O seu princípio é o "ensino estruturado": organizar o espaço, a rotina e as tarefas com apoios visuais, para que a criança entenda o que vai acontecer e o que precisa fazer. Na prática, aparece em agendas de figuras, caixas de tarefas e áreas bem definidas.

Na prática

Algumas ideias do TEACCH funcionam em casa: uma rotina visual com figuras, uma caixa para cada atividade e um sinal claro de "acabou". Veja como montar em nosso guia sobre rotina visual em casa.

Dá para combinar as abordagens?

Sim, e é comum. Cada abordagem tem um foco diferente: a ABA ensina habilidades com método e registro; o ESDM trabalha o vínculo e o brincar nos primeiros anos; o PECS dá um meio de comunicar; o TEACCH organiza o ambiente. Programas bem montados costumam escolher o que faz sentido para aquela criança, em vez de seguir uma sigla só.

Outros profissionais também fazem parte do plano, como a terapia ocupacional e a psicologia infantil. O ideal é que todos conversem entre si e com a família.

Quem escolhe a abordagem?

A indicação vem de quem acompanha a criança, em geral o médico e a equipe que fez a avaliação, e deve levar em conta a idade, as necessidades de comunicação, o perfil sensorial e os objetivos da família. Você tem direito de perguntar por que aquela abordagem foi escolhida, o que se espera dela e como o progresso será acompanhado.

Existe um método único e milagroso?

Não. Desconfie de quem promete resultado certo, rápido ou igual para todas as crianças. As pesquisas sobre intervenções no autismo mostram que há abordagens com bom suporte científico, mas que cada criança responde de um jeito, e que o plano precisa de revisão periódica. Os resultados dependem da idade, das necessidades, da frequência e da participação da família.

Algumas perguntas ajudam a avaliar uma proposta de tratamento:

  • Quais são as metas, e como elas serão medidas?
  • Como a família participa?
  • O plano é individual e revisado de tempos em tempos?
  • O que acontece se a criança não gostar ou não responder?

Veja também nosso guia para escolher uma clínica de terapia ABA. Se você ainda não tem um diagnóstico e quer entender o primeiro passo, a avaliação inicial é o começo. Mas atenção: este texto é informativo. Quem indica o tipo de terapia é o profissional que acompanha a sua criança.

Próximo passo

Quer organizar o que você observa no dia a dia?

Fazer o mapeamento grátis

Conteúdo educativo, escrito pela idealizadora do FaçaAmigos. Não constitui diagnóstico nem substitui a avaliação e o acompanhamento de profissionais de saúde.